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Archive for dezembro \24\UTC 2013

Natal Ribeirinho

João de Jesus PAES LOUREIRO

Para as crianças da minha terra.

25 de dezembro.
Nasceu na beira do rio
um menino tão bonito
bem como nunca se viu.

Devia ser esperado
pois todos o vinham ver:
O rio de ondas vestido,
com ramos de bem-querer;

O beija-flor no seu bico
trouxe uma estrela; Jasmins
fizerem-lhe alvo leito
rodeado de curumins;

O Boto trouxe um chapéu;
O Uirapuru trouxe o canto;
A Abelha, um favo de mel;
A Uiara bordou-lhe o manto.

De Abaetutuba trouxeram
brinquedos de miriti.
De toda parte chegavam
barcos de peixe a açaí.

Os pais daquele menino
não se cabiam de amor.
Maria cuidava do filho.
José era pescador.

Dizem que nunca nascera
criança tão linda assim,
de sua pele evolava
patixuli e alecrim.

Não sei qual foi o destino
dessa criança, sua vida.
Dizem que andava nas águas
e que era muito querida.

Que os peixes multiplicava
e, às vezes, o pão também.
Que amava os que não têm nada
mas, pelo amor, tudo têm.

Dizem que deu sua vida
vivendo a fazer o bem.
Que um dia ressuscitou
e os anjos diziam amém.

Categorias:Antipoemas