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Antipoema 9

maio 4, 2011

Uma aluna me diz:
Eu seguia de ônibus à ilha do Mosqueiro
o assaltante entra
encosta em minha fronte
o cano do revólver.
– “Passem o celular e dinheiro”.
Outro assaltante aos berros
intimida.
E recolhe o baixo preço
da liquidação de tantas vidas.

Uma freiada brusca bastaria
bastaria o pânico de um grito
o forte ruflar bastaria das asas do destino
e o dedo do medo no gatilho
detonaria a bala.
Mais uma flor de juventude tombaria
numa poça de sangue e impunidade.

E o mundo continuaria a lamber
e a virar as páginas dos dias.
Os ônibus continuariam a levar
passageiros sentados a olhar o pânico
disfarçado na paisagem das ruas.
E o delinqüente continuaria no crack da sarjeta
a jogar o vídeo game da espera de outro ônibus
de outro ônibus e mais outro e de mais outro…

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