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Archive for abril \08\UTC 2008

Antipoema 5

Retomo aqui a publicação de meus Antipoemas, já inciada neste Blog. Creio que a poesia é necessária, sempre, mesmo pelo seu avesso. A série que agora se desdobra mantém a linha de temas circunstanciais do cotidiano. É meu modo de sentir poeticamente o mundo, a cada dia, a cada hora, e como a poesia pode, quebrando regras e barreiras, nascer.

Crianças assassinadas

João de Jesus Paes Loureiro

O que faz a mão
levantar uma arma
contra uma criança?
O que faz a mão
cortar o fio
entre o real e o sonho
que equilibra no ar
uma criança?
O que faz a mão
trazer a morte
para quem traz a vida?

Deus,
porque não afastas esse cálice
de amargura
de teus próprios lábios?
E dos nossos, também?
Por que não abates essa mão
no caminho do crime?
Não podes mais, meu Deus,
manter esse descanso
que mereceste após a criação.
Acorda, Deus do amor,
reassume o caos do mundo
e tenta recriar a humanidade…

Categorias:Antipoemas