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Antipoema 4

fevereiro 22, 2008

Espantalhos

João de Jesus Paes Loureiro

As motosserras,
piranhas em cardumes,
no desespero da fome desvairada,
descarnaram com dentes reluzentes
as mangueiras molduras
do Cemitério da Soledade.

Deixaram enfileirados nas calçadas
– sepulturas reviradas pelo avesso –
esqueletos vegetais, em pânico, insepultos.
Espantalhos horrendos
afugentando a beleza da cidade.

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