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Antipoema 2

janeiro 5, 2008

Adolescente no cárcere

João de  Jesus Paes Loureiro

A adolescente foi encarcerada
em uma cela destinada a qualquer crime
nos cárceres do Pará.
Foi lançada às feras numa jaula.

Lançada pelo esgoto social
no banquete de ratos e de répteis.
Como no velho Coliseu romano
os condenados
eram lançados a tigres e leões,
como guerreiros inimigos
eram dispostos à fome canibal,
como se lança uma vaca
à sanha devoradora das piranhas,
como uma flor abandonada
aos vendavais insaciáveis da injustiça,
como um monte de carne que se atira
aos lobos da caverna.

A menor foi humilhada, coagida e estuprada
no chão da cela e da miséria humana.
Em que mundo vivemos quando o homem
se mantém sempre mais lobo do homem?

E tudo aconteceu em Abaetetuba,
minha terra,
terra que adoçou a minha alma
com seus canaviais e verdes sonhos.
Abaetetuba que me fez poeta.
Rosa de amor aberta no meu peito.
Por que essa flor deixou que tão secreto espinho
rasgasse-me o coração
que agora sangra?…

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