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A Corda do Círio

outubro 19, 2007 1 comentário

João de Jesus Paes Loureiro

O Círio de Nazaré, em Belém do Pará, é o mais numeroso e complexo deslocamento humano na Amazônia, constituíndo-se numa procissão religiosa em que a dimensão cultural da fé tem papel estruturador. Não se trata apenas de uma romaria formada por mais de um milhão e meio de pessoas. O erudito pesquisador da sócio-geografia da amazônia Eidorfe Moreira, para caracterizá-lo, formulou a metáfora do Círio como sendo verdadeira “pororoca humana”. Comparou as sucessivas ondas de devotos no rio-humano corrente do Círio, avolumando progressivamente as ruas e travessas do percurso durante sua passagem, com o fenômeno da pororoca de alguns rios do Pará, próximos da foz do rio Amazonas. A pororoca ocorre quando ondas sucessivas vão elevando temporariamente o nível das águas desses rios, furos e igarapés, derramando-se sobre várzeas e barrancos. O Círio de Nazaré, pelo fato de conjugar a liturgia católica com a euforia dionisíaca trans-religiosa da devoção foi apontado pelo romancista Dalcídio Jurandir, sob esse ângulo, como um “carnaval devoto”, conceito lapidar referendado pelo antropólogo Isidoro Alves em seu decisivo ensaio sobre o Círio, que toma de empréstimo essa expressão de Dalcídio, usado-a como título de seu livro-tese.

Penso que o Círio de Nazaré também pode ser lido, mantendo-se a imagem de rio-humano, como uma preamar de signos. Nele há a efervescência de símbolos, sinais, ícones, imagens, alegorias, assim como retóricas de marketing, da tradição, da modernidade, de pluralidade mística, pluri-ritualidades, grandezas hiperbólicas, cruzamento de crenças, crendices, fanatismos, devoções, enfim, uma verdadeira constelação semiótica.

Pode-se dizer que as camadas de acumulações significantes passaram a ter maior evidência individualizadas, ainda que percebidas na forma pregnante do cortejo: a berlinda, a corda e os brinquedos de miriti de Abaetetuba. A devoção, a identidade, a identificação estética.

Aqui, nesta breve contemplação reflexiva, desejo tratar apenas de um desses signos, a Corda do Círio, embora com freqüentes intercorrências com essa constelação simbólica que ilumina a dimensão sensível dessa procissão, semelhante à iluminação visível promovida pelas luzes flutuantes boiando no rio Trombetas por ode passa, à flor das águas, o Círio Fluvial de Oriximiná. Desejo refletir contemplativamente neste texto, como quem vai tecendo e destecendo alguns fios e nós dessa corda que de objeto utilitário se vai constituindo em signo independente e, como tal, sacralizando-se. Uma intensiva conversão semiótica, como denomino esses processos de mudança de significado dos signos, caracterizando-se por nova dominante, seja pela mudança de campo cultural, seja pela incorporação de novos significados estruturais. Neste caso, a conversão semiótica ocorre nessa corda ressignificada de função complementar utilitária puxando a berlinda que leva a santa em signo cada vez mais independente e auto-expressivo.

BREVE HISTÓRICO DA CORDA

A corda é um signo universal que se estende transversalmente por várias culturas e em diferentes épocas. É um símbolo de ascensão. Desejo e meio concreto de subir. Na tradição védica ela é a força do arco. Assim aparece no Rig-Veda, a grande epopéia dos Vedas:

Ei-la que se aproxima da orelha

Como se fosse falar, beijando

Seu querido amante,

É a Corda: esticada no arco, ele vibra

Como uma donzela salvadora na batalha.”

Varuna, uma das maiores divindades da Índia, deus do céu e do oceano, trás uma corda na mão que simboliza seu poder de ligar e desligar. Dentre os egípcios, os hieroglifos mostram que a corda em nó revela o nome de um homem ou, então, a corrente de uma vida refletida sobre si mesma e se constituindo como pessoa. Entre os gregos a corda é representada entre as mãos da fortuna, que pode por termo a uma vida, cortando os fios da existência segundo seus caprichos.

Na América Central os maias achavam que a chuva era formada por cordas pendentes do céu com sêmen divino caindo para fecundar a terra. Os xintoístas, no Japão, acreditam que ela é um símbolo protetor e a instalam em lugares sagrados. Nos países nórdicos os feiticeiros atavam os ventos com uma corda de três nós, subjugando-os em cada nó. Desfazendo o primeiro nó libertavam o bom ventinho de este-sudoeste; desfazendo o segundo, libertavam o vento mais rude; desfazendo o terceiro provocam uma terrível tempestade. A corda com nós também é usada na maçonaria e representa a cadeia de união que prende todos os maçons uns aos outros. Também no islamismo pode-se ler no Corão que a corda serve para ascender na elevação aos céus:

“Eles possuem, acaso

A realeza dos céus, da terra,

E daquilo que fica no meio?

Que subam, então, ao céu com cordas”

A Corda do Círio de Nazaré, realizado no segundo domingo de outubro, em Belém do Pará, passou a ser cortada sob a alegação de que se tornava perigosa à caminhada dos fiéis, dificultando o deslocamento da berlinda que conduz a santa, alongando o ritmo do percurso, retardando a chegada dos fiéis ao Santuário de Nazaré no percurso tradicional de quatro quilômetros, retardando a confraternização do almoço familiar desse dia. O corte da corda, até agora, vem sendo perpetrado em um determinado momento de maior dificuldade no percurso urbano, repartindo, praticamente, a monumental procissão em duas porções: a maior, que tem seu curso levando a berlinda com a imagem da santa e a menor, que fica sendo reorganizada em torno da corda esticada para ser conduzida, também, até o Santuário.

Inconformados com essa amputação, os fiéis, que fazem a promessa de puxar a corda da santa, constituindo a Irmandade da Corda, rebelaram-se contra essa determinação da diretoria organizadora da festa em conjunto com as autoridades eclesiásticas, passando a organizar por sua conta e risco esse eventual segundo círio, como o rabo cortado, mas ainda com vida, de uma cobra-grande, de uma boiúna. Com isso, já que a reorganização desse ciriozinho da corda exige algum tempo, grande parte dos romeiros vai ficando para trás, Um espaço de distinção se vai formando a configurar esse pequeno círio que tem na corda o seu signo de função dominante. Um pequeno círio rebelado e conduzido pela espontânea organização popular de experiência acumulada há décadas. Cria-se uma espécie de Círio da Corda, que foge à responsabilidade da Diretoria da Festa de Nazaré.

É possível que haja a interpretação dessa defesa que a população faz da corda como apenas um travo tradicionalista sem mais lugar na atualidade, rebeldia gratuita de resistência às mudanças, falta de compreensão casmurra da busca de funcionalidade, recusa em aceitar a aderir às novas formas que tentam solucionar os problemas agravados no percurso, oposição ao novo pelo que ele sacrifica da tradição, etc.

Mas não é bem assim.

Lamentavelmente, nas culturas periféricas e não hegemônicas, como as da Amazônia, onde o Pará deseja conquistar liderança, costuma-se assumir atitudes que, anulando sua diferença castram a única possibilidade de assegurar essa diferença, que resulta exatamente da diversidade diversa que a distingue a valoriza. Denomino de diversidade diversa essa qualidade da Amazônia de ser “auráticamente” diferente mesmo das outras reputadas diversidades no mundo. Insensíveis a isso, há os que desejam instituir uma ditadura do gosto do presente, ao invés de acentuar a originalidade que deriva do ser diferente também na atualidade. Tenta-se anular essa diferença como valor, para tornar-se igual, por exemplo, ao “primeiro mundo”. Consolida-se assim a dependência pela anulação da diversidade e a introversão do olhar redutor da herança colonial ou da globalização.

A Corda não é uma simbologia nossa. É universal. Mas, incorpora à cultura do Círio que é nossa, uma dimensão que somente aqui se define e constitui a diferença simbólica paraense dessa corda do Círio do Nazaré, dos usos simbólicos que em outras culturas dela de faz. Quando se vê com seriedade o problema, a questão não é a de ajustar-se ao modelo de outras culturas entendidas ideologicamente como “superiores” e modelos a serem imitados. Mas, fortalecer o seu “ethos” mítico simbólico original nutrido por quantas riquezas culturais for possível (lembremos a perspicaz idéia da antropofagia de Oswald de Andrade), para que esse fortalecimento seja intercorrente com a história e a comunicação. Para isso, é necessário conhecer a cultura parense-amazônica e amá-la. Respeitá-la com amor pelo que ela é no seu dinamismo e no fortalecimento dos liames de grandes comunidades culturais atadas pelos cordames de seus símbolos. Contemplar-se em seu espelho. Olhá-la como um vitral atravessado pela luz que vem de além dela e a atravessa engrandecendo-a sem sobrepor-se a ela. Senti-la pelo que verdadeiramente ela é no seu ethos e não como cada pessoa sem o real sentimento de pertencimento a ela gostaria que ela fosse.

Cultura é uma construção histórica e coletiva que nos forma enquanto que a formamos. Uma forma formada formante.

É possível que a corda do círio possa dar, para algumas interpretações, a idéia de coisa sem importância, capricho de fanáticos, delírio de ressonâncias pagãs, coisa de caboclo paraense, inconformismo suburbano, como o preconceito muitas vezes repete.

Mas não é bem assim.

A Corda do Círio contém força invisível e imaterial. Ela resulta de uma tensão entre o material e o simbólico, isto é, o concreto e o espiritual. Liga o espírito da gente humilde e devota a uma essência universal. Provoca a concentração, a provação sacrificial, numa espécie de transe de corpos fundidos em uma imensa centopéia a caminhar sinuosamente por entre a multidão. Uma centopéia formada por milhares de corpos humanos colados em corpo e alma. Milhares de mãos agarradas na corda que parece arrastar para a terra a própria eternidade. Contingência transcendente. Corrente de vida que percorre e fortalece aqueles que nela põem as mãos.

É, também, um forte símbolo identitário. A identificação paraense tem nela uma densa alegoria: todos pisando o mesmo chão, segurando a mesma corda que os une, puxando como um corpo (espécie de corpo místico) de uma alma só, a berlinda de sua crença na direção de um futuro melhor. Cada vez mais a Corda do Círio se torna um instrumento mágico. Uma utopia trançada em juta. Os pedaços são guardados como relíquias. Pedacinhos são usados como “bentinhos” ou escapulários. Chás são fervidos com algum pedaço para curar doenças.

E que problema dessa corda pode flagelar a própria liturgia da procissão?

Nenhuma religião vive sem signos fora do sagrado, ainda que o sagrado impregne todos os outros signos em sua relação. Os signos usados na liturgia dos rituais são impregnados pela religiosidade. Devemos reconhecer os signos construídos a partir de relações diretas entre o homem e a natureza. Entre o ser e as coisas. A racionalização obsessiva é a corda que enforca muitas religiões. Cada religião vive de um livre jogo entre o humano e o divino, imaginação e crença. E a fé precisa da razão para crer uma crença que ultrapassa a razão embora não a elimine.

A Corda é uma imagem. Como imagem pode ser convertida em signo. Como sino incorpora significações e a cultura oferece as chaves para sua compreensão. Ela recebe um sentido que nasce do desvelamento do que ela contém submerso em sua forma e nas relações genéticas com manguesal de cada cultura. Cristo morreu numa cruz de madeira para salvar a humanidade. Judas enforcou-se com uma corda arrependido de ter delatado Jesus. A cruz tornou-se signo da fé. A corda adquiriu uma conotação negativa no catolicismo. Rigorosamente, significados atribuídos aos dois materiais, independentemente deles, mas decorrente da condensação simbólica que a cultura judaica cristã nelas catalisou. Todavia, nem a madeira, nem a corda, de per si, fizeram por merecer essa nova significação. Foi a capacidade errante de atribuição de sentido que a imaginação criativa do homem nelas impregnou aquilo que percebemos.

A Corda do Círio é uma dignificação da corda como signo mágico-religioso. No percurso em que ela é puxada pelos promesseiros há lances dramáticos na fricção de corpos suados e extenuados; no atropelo das pessoas levantadas e empurradas no ar acima do chão; no sangramento dos pés feridos nas pedras e cacos do caminho; no calejamento dolorido das mãos, na sensualidade reprimida pelo sacrifício. Mas é um raro momento escolhido pelos romeiros para um sacrifício redentor do espírito, da emoção, do astral da crença. Não é uma corda de flagelar-se mas para flagelar o sofrimento. Torna-se instrumento de redenção. Uma espécie de catarse da gratidão pelas graças recebidas. Tensã0o emocional bem mais tranqüila do que a fricção delituosa dos corpos nos assaltos de rua ou nos seqüestros; do que o calejamento diário das legiões de almas em busca de emprego; do sangramento dos pés das crianças que perambulam nos semáforos implorando pelo tostão de cada fome; da agonia dos que peregrinam vagando suando nas calçadas, nos becos, nas esquinas, pelas altas horas ou à luz do sol, em busca de uma pequena razão para viver as horas sem ponteiros de suas esperanças vazias. O sacrifício da corda é um sacrifício que redime e não degrada. Que imprime nos panos de Verônica das manhãs o rosto do sofrimento confortado pela esperança.

A Corda do Círio se foi construindo no traço de união entre o terreno e o espiritual e dos homens devotos entre si. O corte dessa corda em benefício da evolução do cortejo vem provocando inesperadas transformações simbólicas no processo que denomino de conversão semiótica. A Berlinda que conduz a Santa vem consagrando em mais de cem anos uma singela unidade com a corda que a puxava agarrada pelas mãos dos fiéis. Ao ser amputada da berlinda a corda em vez de perder função no Círio, fortaleceu-se como unidade significativa nova, conquistando imprevista independência. Estou certo, em face disso, que se ela fosse um objeto meramente complementar e dispensável na estrutura de deslocamento da Berlinda, como as rodas e um carro, por exemplo, nenhum conflito se estabeleceria. No entanto, a independência adquirida pela corda cortada fez dela um objeto autônomo de significação própria, em que a perda de unidade com a santa na berlinda fortaleceu a corda como unidade dos romeiros entre si. Dos promesseiros entre si puxando juntos uma felicidade amputada.

Esse fenômeno traz profundas questões teóricas submersas e aqui não cabe mergulhar nelas: religião e cultura, tradição e modernidade, devoção e racionalidade, imaginário e fé, praticidade e sentimento. Sabe-se que a fé não é racional. Depende de uma legitimação emocional transcendente. Não tem conteúdo pragmático.

Hoje a corda passa também, além dos mantos que vestem a santa, a ser exposta nos shopings. Diante de seu enovelado volume, como uma cobra em repouso, as pessoas param, olham, aproximam-se, tocam nela, mostram curiosidade alguns e outros, respeito. O marketing informa foi confeccionada na Bahia! Ora, a Bahia é a terra dos orixás, das sacralizações, das legitimações ritualizadoras. Preclara-se com isso, involuntariamente, novo sentido. Torna-se um amuleto. Cordão umbilical cortado. Ao ganhar autonomia de significação se faz em signo. O signo de uma concreta união dos paraenses entre si e com o sagrado. Não é mais uma simples corda, mas a entrelaçada imagem de uma humanidade concentrada nos romeiros. Daí, porque, o corte da corda deixa de ser um simples ato pragmático e racional. Torna-se o doloroso e traumático corte do cordão umbilical que une os romeiros à berlinda – o útero fecundado pela devoção. Mas é um corte que não separa. Pois os corte da corda –cordão umbilical- separa o material para unir mais fortemente o espiritual. Portanto, na dimensão simbólica da cultura religiosa paraense, não é um corte que separa, mas um corte que une. Um corte que prende mais inseparavelmente a corda à berlinda de N.S. de Nazaré. Até quando?

Texto pertencente ao livro “A Encantaria da Linguagem Artísitica”, de Paes Loureiro, Col. Estudios Transversais, da Escrituras Editora/SP. A ser lançado neste 2007.

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Um Certo Professor João

Luciana Moraes

“Eu não me programei para nada
a não ser para ti.
Para estar junto a ti.
Para estar frente a ti
e te olhar com um misto
de curiosidade e fascinação.
Tu és, agora, este poema a se fazer
a obra-prima sonhada pelo poeta
a maravilhosa coreografia de um acaso
o sensualíssimo cheiro de sal e azul
que vem do mar.”
(Bilhete – Paes Loureiro)

O beijoBelém vive dias de atividades culturais intensos: Circuito Cultural Banco do Brasil, Feira Panamazônica do Livro, Círio de Nazaré. Já a cultura popular paraense – aquilo que antes chamávamos de folclore – não vive dias tão áureos assim.

Conhecida como a terra do já teve, a cidade das mangueiras e o Estado que ela representa já tiveram um Secretário de Cultura genuinamente preocupado com a preservação e valorização de nossa cultura popular: João de Jesus Paes Loureiro.

Quando se vai à casa do professor Paes Loureiro se é muito bem recebido logo no hall do elevador por uma réplica da tela O beijo, de Klimt – indício primeiro do bom gosto do qual ele vive cercado.

Todo de branco ele veio. Iluminado como o Sol que invadia a sala pelas janelas do seu apartamento repleto de quadros, fotos, gatos, flores amazônicas e brinquedos de miriti – tudo harmoniosamente encaixado.

O tempo todo eu o chamei de professor, fingindo que ele era mesmo só um professor, pra que a entrevista rolasse sem que eu me intimidasse muito. Na verdade, Paes Loureiro é bem mais do que exclusivamente um professor de Estética, História da Arte e Cultura Amazônica da Universidade Federal do Pará.

Mestre em Teoria da Literatura e Semiótica pela PUC/UNICAMP, São Paulo, e Doutor em Sociologia da Cultura pela Sorbonne, Paris, França, Paes Loureiro também é poeta, pesquisador e blogueiro. Impossível não olhá-lo com um misto de curiosidade e fascinação, estejamos programados ou não para isto.

1) Qual a situação atual da cultura popular paraense?
A cultura popular do Estado do Pará vive um período de diminuição de apoio e há dificuldade em manter os grupos organizados. Mas há resistência daqueles que se mantém pela força da tradição, contudo em um número cada vez menor. Não tem tido apoio e legitimação nem pelo sistema de ensino nem pelos projetos governamentais ou públicos. Como é uma produção que vem de camadas pobres da população, a falta desse apoio e legitimação acaba sendo extremamente danosa. O que salva é que as raízes dessa cultura estão cravadas no coração do povo e por isso resistem.

 

2) Professor, há um mês atrás, em entrevista sobre cultura popular com o também professor Paulo Nunes, ele falou com muito saudosismo no projeto Preamar, criado pelo senhor quando foi Secretário de Cultura do Estado do Pará. Em que consistia o projeto e por que ele acabou?
O projeto Preamar era uma estratégia de apoio, valorização e abertura de espaços à exibição dos espetáculos de cultura popular. Se desenrolava ao longo do ano todo, tendo como época culminante o mês de junho, no CENTUR, que era o centro cultural do Estado e oferecia os mais diferentes espaços cênicos para as apresentações.

O Preamar foi criado em 1986 e durou até 1990, quando fui Secretário de Cultura do Estado do Governo Hélio Gueiros. Quando entrou para a Secretaria o Dr. Guilherme de La Penha – no Governo Jader Barbalho – o projeto foi desativado e a partir daí todos os benefícios de fortalecimento e ampliação do número de grupos populares começou a entrar em declínio.

Para dar um exemplo, grupos de pássaro junino que chegamos a estimular e fortalecer foram 70 só em Belém. Esse número foi diminuindo nos anos seguintes a nossa gestão ao ponto de quase desaparecer, restando apenas poucos grupos heroicamente resistindo. Durante o Preamar, exibiam-se em Belém grupos da cultura popular paraense das mais diversas modalidades e de quase todos os municípios.

3) Se o senhor fosse Secretário de Cultura do Estado do Pará hoje, o que retomaria, o que manteria e o que mudaria?
Retomaria o projeto Preamar porque é um projeto que beneficiava o Estado inteiro, valorizando a sua diversidade cultural e artística. Retomaria também o planejamento cultural compartilhado por todos os municípios e que também foi desativado na gestão seguinte a minha.

Manteria da atualidade os espetáculos de música erudita, a programação de apoio aos editais artísticos, ampliando, todavia o seu alcance. Procuraria trabalhar com todas as artes de qualquer modalidade, favorecendo as técnicas, as formas e a dimensão estética atuais na expressão artística, procurando fortalecer a nossa originalidade, beneficiando-nos com as contribuições universais da arte atual. A Feira Panamazônica do Livro seria um programa que eu manteria também, assim como as homenagens que são feitas aos países a cada ano.

O que eu não faria era manter todas essas atividades dependentes do orçamento do Estado, mas lutaria para que elas tivessem autonomia e condições garantidas permanentemente de recursos financeiros para continuarem existindo independentemente do Estado; pra que ficassem tão fortes que não dependessem mais da decisão do poder público que sempre varia nas suas prioridades e intenções.

Aconteceu que, como passei apenas quatro anos na Secretaria, investi todas as forças primeiro na criação do processo, que era a estratégia certa na época, mas ele não teve continuidade nas outras gestões.

4) O senhor falou na Feira Panamazônica do Livro. Como vai ser a sua participação na feira este ano, que tem como país homenageado Cuba?
Este ano eu participo da Feira Panamazônica do Livro em um recital com o título “O poeta e seu canto: poesia e música”, tendo como convidados especiais Salomão Habib, Dayse Addário, Ziza Padilha, Lu Guedes e Trio Manari. Todas as composições são de minha autoria neste espetáculo, que ocorrerá dia 06 de outubro, sábado, às 17 horas. Em uma parte destacada, faremos uma homenagem à Cuba, com poemas e canções.

5) O senhor tem um blog desde fevereiro de 2007 e nele alguns de seus artigos, fotos e poemas estão ao alcance de todos. Como surgiu esta idéia?
A minha idéia de criar um blog e entrar para o Orkut nasceu de um desejo de dialogar mais com meus alunos e com as pessoas, participando de um tipo de meio e linguagem que permite um elo informal, dinâmico e no gosto de todo mundo. Foi uma busca de canais de comunicação com a juventude e de experimentar um meio fascinante de interação e afetividade cósmica.

Quem me orienta no blog e a quem eu chamo de meu “bloguru” é o meu sobrinho Pedro Henryque, que já foi até personagem de um documentário sobre essa comunicação de Internet, realizado pela Jorane Castro.

Luciana Moraes é estudante de Jornalismo na Unama. A entrevista foi feita para um trabalho acadêmico da disciplina Jornalismo Impresso II e originalmente publicada em seu blog Cintaliga.

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O Poeta e seu Canto

outubro 1, 2007 1 comentário

Poesia e Música de João de Jesus Paes Loureiro

PAES LOUREIRO (Poesia)

&

SALOMÃO HABIB (Violão)

Convidados

DAYSE ADDARIO – ZIZA PADILHA

LU GUEDES

TRIO MANARI

Dia 06 de Setembro, às 17 horas. Na Feira Pan-Amazônica do Livro.

Clique aqui para ver a programação.

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