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A Poesia como Encantaria da Linguagem

fevereiro 13, 2007

João de Jesus Paes Loureiro

“Para a criança que há no
homem a noite contínua
sendo a costureira das
estrelas.”
Hölderlin

Há muito tempo que venho desenvolvendo, por meio de poemas, a produção de uma arte poética pela qual entendo a poesia como encantaria da linguagem. Aqui, nesta abordagem, explicito fundamentos dessa arte poética que me vem guiando. E ela será o ponto irruptivo do que pretendo refletir sobre os temas desta poética e suas relações com o mito, que há muito tempo me vem guiando.Todo poema revela uma forma de teoria da criação. Todo poeta produz poemas que, por sua vez, constituem a sua poética em movimento. Embora a materialização de cada concepção poética se faça na estrutura do poema, é possível perceber-se, no conjunto da obra, a formulação de uma espécie de teoria geral da criação poética.

O tema desta reflexão é o conteúdo de uma teoria poética que se revela por meio da poesia que venho produzindo, teoria que tem como pólens geradores o conceito estético-religioso das “encantarias” _ espécie de Olimpo submerso nos rios da Amazônia, onde habitam os encantados, os deuses da cultura amazônica – e a atmosfera universal que impregna toda poesia.

O caráter poético do poema e do mito, fragmentos da cultura que pretendo inicialmente abordar, advém do fato de que ambos navegam no rio da linguagem, como troncos submersos em sua encantaria.

As encantarias amazônicas são uma zona transcendente que existe no fundo dos rios, correspondente ao Olimpo grego, habitada pelas divindades encantadas que compõem a teogonia amazônica. É dessa dimensão de uma realidade mágica, que emergem para a superfície dos rios e do devaneio, os botos, as iaras, a boiúna, a mãe do rio, as entidades do fundo das águas e do tempo. Penso que representam o maravilhoso do rio equivalente à poetização da história promovida pelo maravilhoso épico. Esses prodígios poetizam os rios, os relatos míticos, o imaginário, a paisagem – que é a natureza convertida em cultura e sentimento.

Dimensão transfigurada do real, as encantarias dos rios da Amazônia tornam-se uma espécie de “expressão simbólica do sentimento”, como qualidade na poesia percebida por Suzzane Langer. Ao serem narradas como mito, as encantarias são transfiguradas também em formas significantes. E, como formas significantes da expressão simbólica do sentimento, assumem a dimensão estética. A pregnância lingüística do estético, com o caráter auto-reflexivo de signo-objeto, semelhante à individualidade de um poema.
Ultrapassamento transcritivo do real e da poesia, as encantarias da Amazônia são uma espécie de linguagem de um outro ser irrompendo como um tronco antes submerso no imaginário do rio. É na encantaria que repousa o sentido daquilo que poderia ser, naquilo que é.

A poética do mito também deflui de uma dimensão do seu dizer alguma coisa sobre algo, sem que, necessariamente, faça algo acontecer. Como tal, constituindo-se esse algo que é narrado como uma finalidade e sem a configuração de um fim (na medida em que respiramos uma atmosfera kantiana) o mito, quando oralizado ou transformado em literatura, também não se dirige à provocação de um acontecer, mas a esse mistério gozoso da poesia, ou ao desfrute desse vago estado de crispação da alma a que denominamos estética.

Há um poema de W. H. Auden, em memória de W. B. Yeats, que bem expressa esse nada que é tudo na poesia e que Fernando Pessoa viu no mito, ao dizer que “o mito é o nada que é tudo”.

Eis um excerto do poema de Auden:

“Pois a poesia nada faz acontecer; sobrevive
No vale de sua criação onde jamais executivos
Quereriam brincar, e corre para o sul
De ranchos de isolamento e atarefada águas,
Rudes cidades nas quais acreditamos
e morremos; sobrevive
um jeito de acontecer, um estuário”

Na linguagem, o mito revela essa qualidade de poesia quando se apresenta como “um jeito de acontecer” sendo um modo de ser e não do fazer, do conceber, não do provocar. Sem o poder executivo do fazer acontecer, instaurando esse “algo de algo” próprio do maravilhoso não fazer acontecer, que é a substância do fazer poético.

No uso informativo da função referencial da linguagem que representa o seu uso comum e não artístico, quando o processo de comunicação parece ser o seu uso privilegiado, a dimensão poética está contida em potência, submersa, capaz de se tornar a função dominante, no momento em que o poeta, pelo toque imperativo na palavra, faz a poesia emergir na escrita, o poema – forma privilegiada e essencial da expressão poética.

Imagem de Orfeu que mergulha na profundidade das coisas, para resgatar a mulher amada, o poeta, mergulha na linguagem, para desencantar de suas encantarias, o poético, a poesia, os poemas ali contidos. Evidentemente, valorizando o sentido mítico e poético de ambos, não dizemos que mito e poesia sejam uma coisa só. Mas, reconhecemos a dimensão poética do mito, na medida em que, mesmo tendo o primado da intuição semântica, o mito também revela uma configuração formal significante, que é o princípio essencial da consciência poética.

Utilizando a metalinguagem dos símbolos e tendendo a criar, por sucessivas aproximações, uma sorte de persuasão iluminante (como bem observa Gilbert Durand, ao estudar mito e poesia), creio que o mito não faz outro percurso que não seja o do antropológico para o poético. A incorporação da condição poética pelo mito revela também por substância, o denso processo que denomino de “conversão semiótica”.

A “conversão semiótica”, conceito amplo que apresento em Cultura Amazônica: Uma poética do imaginário, é o processo de mudança de função ou de significação dos fatos da cultura, quando se dá uma mudança de dominante, re-hierarquizando dialeticamente as outras funções.

No caso do mito, a sua conversão em poesia acontece quando a dominante deixa de ser mágico-religiosa para tornar-se estética. Quando o mito deixa de ser o funcionamento de códigos sociais e passa a ser linguagem significante, ou uma “prática significante”, como diz Júlia Kristeva como próprio das artes. Interfere nesse processo, o gesto de distanciamento contemplativo diante do mito, que pode ocorrer tanto dentro de uma determinada cultura, como na relação com o mito de uma outra cultura.

É verdade que organizar cronologicamente um sistema de pensamento, é papel do mito, enquanto que à poesia compete organizar metaforicamente um sistema de valores de palavras. Todavia, como nada que está só está somente só, essas funções se complementam e se alternam hierarquicamente, dependendo de um movimento dialético de relações culturais.

Usando-se a consagrada predicação de Lévi-Strauss, pela qual “a poesia semelha situar-se entre duas fórmulas: a da integração lingüística e a desintegração semântica”, pode-se dizer que, a conversão semiótica do mito em poesia, se dá quando o mito, deixando sua matéria existencial oriunda de situações individuais ou de grupo, reitera ou legitima, pelo relato de palavras, o processo poético de integração lingüística e desintegração semântica. Isto é, quando o mito, deixando de ser algo que parte de fatos naturais ou sociais, buscando a reiteração do sentido, passa a se constituir numa significação metafórica, alegórica, numa imagem, numa ficção, num modo irruptivo do instante que nunca é igual a outro.

No cancioneiro amazônico há uma bela canção de Waldemar Henrique, dizendo o seguinte:

“Certa vez de montaria
eu descia um paraná
e o caboclo que remava
não parava de ‘falá’
ai! ai! não parava de ‘falá’
ai! ai! que caboclo ‘faladô’”.

E de que falava esse caboclo tão loquaz? Cantava, reiteradamente, os encantados dessa original teogonia cabocla. Falava do lobisomem, da mãe-preta, do tajá e do jurutaí que se “ri pro luar”. O mito para encantar e não para estabelecer-se como norma. O mito, como poesia, nasce, de certa maneira, do falador, como nessa canção, daquele que confere uma forma significante à sua fala ou seu texto, distanciado de uma inserção ética na realidade social. Passa do caráter normativo para o expressivo.

Creio que o mito assume essa condição poética guiado pela dominante estética, para assinalar outro ângulo, quando traduzido de uma cultura para outra, ou deslocado de um espaço para o outro, ainda que na mesma cultura, passa a valer como um fato de linguagem. Claro que não estamos tratando apenas, propriamente, de poema construído como tal, produzido segundo uma intencionalidade, configurado de acordo com uma técnica. Estou aqui falando de uma poeticidade decorrente do uso da linguagem.

Benedito Nunes, ao traçar em Heidegger a passagem para o poético, diz que a poesia celebra e comemora. Com base nesta idéia, creio que quando o mito deixa de normatizar ou reiterar um sistema de convivência e passa a ser a celebração comemorativa de si mesmo como verbo, se converte em poesia e promove a dominância da função estética. Poetizando-se, o mito deixa de infundir o sagrado no passado, para escavar o sagrado na palavra que se mostra memória, sob o fervor pulsante da recordação, como deseja aquele filósofo.

Não estamos tratando, neste momento, do mito como explicação de uma realidade. Falamos do prazer de ouvir sua narração, quando o interesse está centrado na forma do narrar, quando então o mito se torna uma finalidade sem a representação de um fim. O mito não estará sendo lido pelo intelecto, como forma de conhecimento que visa integrar compreensivamente uma realidade, mas sim, como um fato gestual da linguagem que se “reevoca” permanentemente. Como verbo epifanizado. Verbo na coreografia de si mesmo.

O mito, distanciando-se de ser a consciência da coletividade, passa a ser a expressão do sentimento, de uma sensibilidade estética. Passa a ser operado como uma integração lingüística, na medida em que é percebido pela linguagem significante e não pelo caráter normativo que lhe dava estrutura e equilíbrio.

Cada vez mais, em nosso tempo, a poesia assume o papel de catalisadora de significações coletivas, equivalente ao mito nas sociedades das origens. Com isso, percebe-se que a diferença entre mito e poesia (para lembrar mais uma vez Gilbert Durand) é uma simples diferença de graus de evolução semiológica e lingüística da sociedade ambiente, ou um caso evidente de conversão semiótica.

O mito torna-se poesia quando, de forma oral ou escrita, passa a ser narrado no domínio da linguagem, como matéria de linguagem. Essa mesma linguagem que o poeta Hölderlin diz ser “o mais inocente e o mais perigoso de todos os bens”. Tanto a poesia quanto o mito testemunham o nosso acontecer em diálogo, para lembrar, ainda, o poeta da poesia. É no acontecer em diálogo que a vida deixa de ser um destino solitário.

Pode-se dizer que, pelo mito, as pessoas sentem que algo existe, enquanto que, pela poesia, elas sentem a sua própria existência. Instaurando o mito na palavra, a poesia instaura o ser do mito dessa palavra.

Poesia é palavra original e fundadora, não apenas de todos os povos, como também das culturas e religiões. Devoradora do agora em sua fome de eternidade, ela confere ao poeta, segundo antiga tradição greco-latina ou de tribos amazônicas, a dupla dimensão de memória viva dos povos e de vidente. Fruto de uma contemplação ativa ou de um agir contemplativo, a poesia tem represado essa memória emocionada das civilizações, entre as sílabas do sempre.

Intermediação entre o poeta e a coletividade, a poesia, na conjunção dos signos do poema, vibra pela expressão da alma do poeta, dialogando com a alma recriadora de quem o lê. Linha inconsútil de sílabas e significações cristalizando a experiência luminosa do espírito, a poesia, no poema, é um permanente religar do mundo dos homens ao mundo dos deuses e dos mitos.

O suporte material da poesia é o poema. E o poema é uma construção de palavras. De palavras articuladas em linguagem e convertidas em signos.

Uma linguagem, portanto, carregada de significação. Para compreendê-la intelectualmente, Roland Barthes caracteriza a linguagem poética como um desvio sistemático da norma lingüística. Roman Jakobson também fez, sobre o mesmo tema, uma hoje consagrada conceituação na linha formalista, segundo a qual a linguagem poética é o resultado de uma equivalência do eixo da seleção sobre o eixo de combinação.

Conseqüência disso, o metafórico sobrepuja o metonímico e o poema, sob a dinâmica obstinada da função poética e dotado de uma significação intrínseca, assume o estatuto de um signo-objeto, capaz de conter, em si mesmo, a sua significação. Desse modo, é o texto que fala. O poema é a fonopéia de uma outra voz. Nele se privilegia a imanência da emoção e não a intencionalidade do interesse. A estrutura do texto poético ultrapassa a finalidade da mensagem. Constitui-se fonte de significação insaciável e campo de “correspondências”, como se percebe no homônimo poema de Baudelaire, poeta angular das transfigurações poéticas deflagradas a partir do fim do século XIX.

O mito, enquanto mito ou poesia, não faz uma cultura superior ou inferior à outra, no termômetro de graus de valor. Nele, o que se pode fazer, quando o contemplamos, como artefato de palavras, como expressão poética, é deixá-lo dissolver-se na doçura de uma degustação saborosa de brevidade e leveza. A realidade real do mito, a verdade de seu enredo, só estará dentro dele, no entrevero bélico das personagens ou na candura dos seus gestos de amor. Fora dele, há a irrealidade das aparências essenciais, a essência revelando-se pela aparência, isso que faz de toda arte Arte e, acima de tudo, poesia. Verdadeiramente, e por tudo isso, o mito é um jorro de poesia na superfície do rio da linguagem.

Recorrendo à antiga tópica da linguagem-rio, penso que, tanto no mito quanto no poema, ocorre o mesmo fenômeno do poético como sendo uma espécie de encantaria submersa na linguagem, capaz de emergir como um brusco jorrar de significações, impregnando de um novo sentido, o tão antigo e usual sentido das palavras.

Desde a Antigüidade Clássica, nos deparamos com inúmeras metáforas náuticas, referentes à criação literária, no conjunto da tópica sobre esse tema. Seja a realização da obra como uma viagem, quando são içadas as velas no começo e são recolhidas no final. Seja na conclusão do texto, quando tudo parece ter chegado ao porto de um destino.

O épico se diz navegando em grandes barcos no oceano,. O lírico se mostra como a navegar os rios numa canoa pequena. O poeta é marinheiro, precisa ser nauta experiente, passa por entre os escolhos, enfrenta monstros marinhos, corta ondas encapeladas, atravessa ventos contrários e tempestades. A linguagem torna-se, portanto, o grande rio oceano em que o poeta navega.

Em Dante, na Divina Comédia, pode-se ler: “Para correr águas mais propícias, agora solta as velas o batel do meu engenho”. É com o sentido metafórico de linguagem-rio que essa relação reaparece em James Joyce, na literatura contemporânea, com especial vigor. São dois exemplos. Com base nesta tão antiga e universal tópica, concebemos um paralelismo conceitual entre as “encantarias” – morada dos deuses encantados no fundo dos rios – e a poesia como prodígio subjacente na linguagem, constituindo uma espécie de encantaria poética.

O poeta, no poema, faz emergir a linguagem do verso, do fundo das encantarias do rio da linguagem, tornando sua poeticidade dominante, realçando “a denominação poética”, da linguagem. Faz o poema ou o mito-poema inserir-se com significação própria no contexto circundante.

Numa reflexão aproximativa e conceitualizadora, torna-se conveniente integrar, em relação de complementaridade, as funções da linguagem indicadas por K. Bühler (representativa, expressiva e apelativa) e a função estética preconizada por Mukarowsky. As três funções de Bühler, deduzidas da essência da linguagem, têm um caráter prático. A quarta função aditada por Mukarowsky, elimina a relação imediata entre o uso da linguagem e a prática. É a função estética, que se manifesta e instala o signo lingüístico no centro das atenções.

As encantarias, como o lugar dos encantados submersos nos rios da Amazônia, de certo modo, revelam a liberação da função não utilitária do rio, valorizando a relação deste com o imaginário, em detrimento das funções práticas e de uso que constituem a natureza imediata ou material do rio.

Os homens passam pelo rio, usam o rio, trabalham no rio, alimentam-se do rio, navegam pelo rio, vivem no rio e morrem no rio. Todavia, pelo devaneio, percebem que há uma outra realidade que lhes estimula um estado de alma diferente, que lhes permite olhar e perceber esse rio de uma outra forma, plena de um mistério encantatório, magicamente real, capaz de fazer desse rio uma realidade simbólica sensível e que se revela como “uma finalidade sem a representação de um fim”. Algo que corresponde a uma situação estetizada.

Entendendo a linguagem como um rio-corrente, espaço de navegação do poeta, ao lado das funções práticas que a constituem como linguagem informativa (representação, expressão e apelo), cremos que a função poética existe subjacente ou submersa nos peraus, nos abismos da linguagem, florescendo à superfície do texto pelo toque no botão de flor da palavra poética.

A partir de então, a função poética, das fundas encantarias da linguagem, no processo de “conversão semiótica”, assume a dominância da língua, tornando-se o “ponto vélico” da expressão. O ponto vélico é a convergência dos ângulos do vento e da vela, impulsionando o barco no seu rumo. Força dominante da navegação no rio utilitário, a função poética é o “ponto vélico” de força dominante na viagem pelo vago rio do devaneio poético.

O afloramento da função poética das abismais encantarias da linguagem ocorre no processo de re-hierarquização dos signos com a inversão da dominante que passa a ser exercida pela estética. A função prática dá lugar à função poética.

De certa maneira, é um movimento de conversão semiótica da linguagem-padrão em linguagem-poética. A encantaria é um rio prodigioso, submerso num rio utilitário e pronto a emergir sob o toque do devaneio do caboclo ribeirinho. Pelo devaneio, o caboclo amazônico subverte a realidade do rio, desautomatizando a visão, fugindo à redundância, provocando uma nova contemplação rica de informações e transgressões.

De igual modo, é pela ação transgressora e informacional que o poeta retira a linguagem do uso automatizado ou redundante para uma nova dimensão, que é a poética.

Pela evidenciação da encantaria do rio, passa-se a ver o rio não como rio de uso, mas transformado em uma realidade mágica, a realidade de um mistério gozoso. É o que, de certa forma, se pode observar na língua. A desautomatização semântica passa a relacioná-la com a significação, a sintaxe, a ordem das palavras, a fonopéia, a melopéia, a logopéia, que estavam em repouso submersas na linguagem-padrão.

Passam para o primeiro plano da expressão da língua padrão outros componentes dessa encantaria poética, nela submersos, como a entonação, o ritmo, a fonética, a plasticidade, as assonâncias e as consonâncias. Assim, como a violação da norma do rio é indispensável para que ele se constitua numa encantaria de si mesmo, também é imprescindível a violação da linguagem padrão para que a poesia nela brote, como uma forma de encantaria, transformando-a em poema.

Na Amazônia, inventamos nossos mitos encharcados de poesia para podermos viver na desmedida solidão de rios e florestas. Mitos de encantados que são o próprio recolhimento da palavra no sagrado dos mitos, até que a palavra se torne, ela mesma, o sagrado que se mostra na poesia.

Estou certo de que se nós, os poetas, cada vez mais compreendendo que a dimensão mítica é essencial à poesia – como os sacerdotes do deus do vinho, no poema de Hölderlin –, haveremos de continuar nas errâncias de terra em terra, de tempo em tempo, pela noite do sagrado. Pela noite mais do que sagrada de uma página em branco.

Bibliografia

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Paes Loureiro, João de Jesus. Cultura Amazônica: Uma poética do imaginário. Tese de doutoramento apresentada na Sorbonne, Paris, França, Cejup, Belém/Pará. 1995.

[Atualizado em 14.02.07]

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