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	<title>Blog do Paes Loureiro</title>
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		<title>Blog do Paes Loureiro</title>
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			<item>
		<title>Poemas sobre o Círio de Nazaré</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 20:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[_________________________
Oratório do Círio de Nazaré
João de Jesus Paes Loureiro

Belém do Pará/1986

O Círio 
O Círio vai passando como um rio.
Rio de anjos e brinquedos de miriti.
Como um rio
e sua multidão de ondas caminhantes.
Como um rio.
O Círio vai passando como um rio.
Passa a Barca dos Marujos.
Passa a Barca dos Milagres.
Passa a Barca dos Arcanjos.
Passa a Barca das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=69&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h2 style="text-align:justify;">_________________________</h2>
<h2 style="text-align:justify;">Oratório do Círio de Nazaré</h2>
<p style="text-align:right;">João de Jesus Paes Loureiro</p>
<blockquote>
<p style="text-align:right;">Belém do Pará/1986</p>
</blockquote>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>O Círio </strong></span></h3>
<p>O Círio vai passando como um rio.<br />
Rio de anjos e brinquedos de miriti.<br />
Como um rio<br />
e sua multidão de ondas caminhantes.<br />
Como um rio.<br />
O Círio vai passando como um rio.</p>
<p>Passa a Barca dos Marujos.<br />
Passa a Barca dos Milagres.<br />
Passa a Barca dos Arcanjos.<br />
Passa a Barca das Girandas.<br />
Piracema da fé na rua que é rio!<br />
Passa  a Barca da Berlinda<br />
periantã de lírios<br />
arcano a navegar à flor das almas&#8230;</p>
<p>O Círio vai passando como um rio.<br />
A correnteza de um rio<br />
com alma e devoção.<br />
Rio de sílabas velozes.<br />
Sonoro rio<br />
e seus cardumes de canções.<br />
Um rio de ondas submarinas,<br />
pleno de naves aves velas e velames.<br />
Um rio devoto<br />
navegado pela fé,<br />
peixe a navegar por entre a correnteza.</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>Carro dos Anjos</strong></span></h3>
<p>Anjos anjos anjos<br />
Nuvem de anjos passando entre mangueiras.<br />
Anjos anjos anjos<br />
Carro de anjos passando pelas ruas.<br />
Anjos anjos anjos<br />
Nuvem de anjos em túneis de mangueiras.<br />
Anjos anjos anjos<br />
Carro de anjos  levado pelas ruas.</p>
<p>Asas de anjos roçando nas mangueiras.<br />
Asas de anjos pousando o céu nas ruas.</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>Senhora de Nazaré</strong></span></h3>
<p>Senhora,<br />
talvez aqueles que te levam<br />
pelas ruas<br />
no azul levíssimo da alma<br />
nem percebam<br />
que é por todos nós que passas&#8230;</p>
<p>Senhora,<br />
tu que passas sobre todas as cabeças,<br />
coroa de cantares e perfumes,<br />
entre pedras, paus, penas e espinhos<br />
hás de tornar cada vez mais suaves<br />
nossos caminhos&#8230;</p>
<p>Senhora,<br />
barca de flores<br />
caviana mística<br />
coração de pétalas no peito da manhã<br />
Iara boiando em águas encantadas<br />
rosa mística, “lírio mimoso”, cântico dos cânticos&#8230;</p>
<p>Senhora de Nazaré,<br />
tu que passas pisando nosso chão<br />
coroada de sonhos e de flores,<br />
só não hás de passar no ardor do meu coração&#8230;</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>Carro dos Milagres</strong></span></h3>
<p>O Carro dos Milagres é um barco.<br />
Navega sob nave de mangueiras<br />
nas ruas de Belém&#8230;<br />
No tombadilho<br />
acumulam-se pernas, troncos, braços,<br />
cabeças destroncadas,<br />
destroços de poesia, cacos de esperança.<br />
Acumulam-se casas, igarités, malárias, espinhelas.<br />
Acumulam-se mazelas e penas desta vida&#8230;</p>
<p>Quando, nesse barco<br />
tripulado por sonhos,<br />
equipagem de graças e milagres,<br />
há de haver<br />
o cocar de algum índio celebrado<br />
e o punhado de terras do colono<br />
que garantiu seu chão para viver?</p>
<p>Quando há de haver<br />
no Carro dos Milagres,<br />
como no alvo garçal de Monte Alegre,<br />
o levíssimo pousar de aves claras<br />
revelando<br />
que entre nós a paz pousou na terra.</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>A Virgem na Berlinda</strong></span></h3>
<p>Em meio à multidão<br />
quisera ser<br />
tão só<br />
um desses lírios em teu andor,<br />
para estar a teus pés<br />
para sentir teu perfume<br />
para bem perto olhar<br />
teus pequeninos olhos de ternura.</p>
<p>Quisera ser essas folhas de mangueira<br />
à tua passagem<br />
e te roçar de leve com meus lábios.<br />
Quisera ser esse raio de sol<br />
por entre as folhas,<br />
para tocar tua imagem e te aquecer.<br />
Quisera ser essa brisa<br />
das manhãs de Belém,<br />
para agitar levíssimo o teu manto.<br />
Quisera ser um hino<br />
a rebrotar dos lábios das crianças.<br />
Um hino em teu louvor!<br />
Quisera ser os passos da paixão<br />
te acompanhando,<br />
como o peixe acompanha<br />
a procissão das águas,<br />
como o tema da canção<br />
que passa<br />
por entre a melodia.<br />
Quisera ser as sílabas do amor<br />
para a linguagem ser dos que te amam.</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>A Corda</strong></span></h3>
<p>Mãos rezam na corda<br />
Arrastam de amor o Carro da Berlinda<br />
Mãos na corda arrastam a fé<br />
Mãos na corda arrastam<br />
Mãos na corda<br />
Mãos na<br />
Mãos</p>
<p>Mãos sonham na corda<br />
Arrastam  de ardor o Carro da Berlinda<br />
Mãos na corda arrastam a esperança<br />
Mãos na corda arrastam<br />
Mãos na corda<br />
Mãos na<br />
Mãos</p>
<p>Mãos sangram na corda<br />
Arrastam fiéis e o Carro da Berlinda<br />
Mãos na corda arrastam a caridade<br />
Mãos na corda arrastam<br />
Mãos na corda<br />
Mãos na<br />
Mãos</p>
<p>Mãos tecem de mãos a corda<br />
Arrastam homens e mulheres para dentro de sua alma<br />
Mãos na corda arrastam o céu na terra<br />
Mãos na corda arrastam<br />
Mãos na corda<br />
Mãos na<br />
Mãos</p>
<h3><span style="color:#000000;"><strong>Louvor à Virgem</strong></span></h3>
<p>Senhora de Nazaré!<br />
Meu coração<br />
em teu louvor<br />
sangra, queima, se renova e dança,<br />
faz-se de amor por ti.<br />
Toma-me para sempre em tua devoção.<br />
Aprisiona-me, Senhora,<br />
na liberdade azul de minhas asas&#8230;</p>
<p>Sou livre<br />
se encarcerado sou<br />
em teu amor.<br />
Sou mais alto<br />
ajoelhando-me a teus pés.<br />
Sou infinito<br />
mesmo sendo grão de poeira<br />
ínfimo, que pisam<br />
os que te levam no ombro e ao coração&#8230;</p>
<p>Senhora de Nazaré!<br />
Muiraquitã no colar de cordas e de mãos.<br />
Cocar de luz na fronte indígena<br />
de nossa emoção original.</p>
<p>Senhora de Nazaré<br />
Dá-nos amor!<br />
Senhora de Nazaré<br />
dá-nos a paz!<br />
Senhora de Nazaré<br />
dá-nos amor e paz<br />
como luz e pão de cada dia&#8230;</p>
<h2>_________________________</h2>
<h2>A moto-romaria do Círio</h2>
<p style="text-align:right;">João de Jesus Paes Loureiro</p>
<blockquote>
<p style="text-align:right;">Belém do Pará/2009</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Romaria de motocicletas.<br />
Liturgia tecnológica<br />
no cantar o canto-chão de máquinas em coro,<br />
rezando pelas descargas,<br />
orando pelas buzinas,<br />
acelerando a crença<br />
no velocímetro da fé.<br />
Máquinas em devoção metálica.<br />
Transfiguração de pés em rodas peregrinas.<br />
Palavras embreadas na linguagem.</p>
<p>Mudando  a marcha do tempo<br />
a moto-romaria<br />
avança pelas ruas do que é<br />
em busca do vir a ser no que será.<br />
Signos tatuados em braços,<br />
costas, peitos, ventres, pelvis, pernas<br />
de um novo corpo místico.<br />
A pós-modernidade aqui que se faz litúrgica<br />
convertendo a moto,  símbolo rebelde,<br />
em signo devoto.</p>
<p>Relâmpago de preces<br />
na veloz velocidade mecânica<br />
de nossos dias.<br />
Motocírio ansioso furando o túnel de mangueiras,<br />
abrindo um buraco na luz da manhã.<br />
Devoção metálica de  uma época<br />
que não tem mais tempo para o tempo.</p>
<p>O antigo veste roupa nova,<br />
ou é o novo que  celebra o antigo?<br />
Rios a encontrarem-se nas águas,<br />
correntezas litúrgicas,<br />
almas abraçadas<br />
pelas ruas de Belém.</p>
<p>Cheiro de gasolina<br />
entre incensos e patichulis.<br />
Buzinas feito campaínhas.<br />
Colares de sementes<br />
entre escapulários.<br />
Descargas pelos canos explodindo<br />
sonorizando fogos de artifício.<br />
Corais motorizados que rezam ladainhas.<br />
A imagem na Berlinda<br />
sobre o carro de bombeiros,<br />
avança<br />
entre os incêndio da fé que arde nas almas.</p>
<p>Com que súbito espanto,<br />
de seu calmo céu de catecismo,<br />
anjos, de harpa nas mãos,<br />
hão de entender essa missa dionisíaca de máquinas?<br />
A romaria das motos pelo asfalto<br />
arromba as portas do silêncio,<br />
da indiferença,<br />
do conformismo<br />
e abre,<br />
sob túneis de mangueiras,<br />
uma nova estrada de amor e de esperança.</p>
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		<item>
		<title>EU DEFENDO</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 02:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O tombamento do Teatro São Cristóvão, Teatro de Pássaro
João de Jesus Paes Loureiro
O Teatro São Cristóvão, fica localizado na parte interna do terreno que tem, na área da frente, a sede do tradicional e importante Sindicato dos Motoristas de Belém. Ainda que esteja em São Paulo no período em que se comemora a fundação de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=58&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3>O tombamento do Teatro São Cristóvão, Teatro de Pássaro</h3>
<p align="center"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></p>
<p align="justify">O Teatro São Cristóvão, fica localizado na parte interna do terreno que tem, na área da frente, a sede do tradicional e importante Sindicato dos Motoristas de Belém. Ainda que esteja em São Paulo no período em que se comemora a fundação de Belém do Pará, soube da notícia do pretendido “tombamento” isolado da sede do Sindicato, gerando divergências quanto à validade ou não de incluir também nesse processo de tombamento o teatro. Com sempre há conflito de opiniões no torvelinho que gira no eixo desse tipo de tema, não posso me omitir no momento em que se coloca essa questão, quando ainda há tempo de poder contribuir ao seu encaminhamento. Coloco, mesmo à distância, meu ponto de vista próximo do problema, uma vez que venho testemunhando como poeta (escrevi, publiquei, tendo sido posto em cena, musicada por Waldemar Henrique, a peça “Pássaro da Terra”, dentro da estrutura cênica desse teatro popular), pesquisador (analiso esse teatro paense em minha tese de doutoramento “Cultura Amazônica &#8211; Uma poética do imaginário”) e administrador público (quando desempenhei as funções públicas de Secretário Municipal de Educação e Cultura – de onde saiu a Fumbel, Superintendente da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Secretário de Estado da Cultura e Presidente do Instituto de Artes do Pará) a importância artística e cultural do Pássaro Junino e o significado social desse espaço cênico. Não poderei apresentar dados estatísticos relativos ao tema da relevância cultural desse espaço, visto não estar em Belém, mas, para quem quiser entender, as palavras bastarão para demonstrar o que desejo, fruto de compromisso com a cultura do meu amazônico Estado.
<p align="justify">A história, o imaginário, a memória, os signos culturais, ainda que conceitos abstratos, necessitam estar ancorados na realidade concreta para se sustentarem no tempo. É o que, referindo-se à ficção romanesca, Roland Barthes denomina de “efeito do real”. O real legitimando o espiritual, o concreto sustentando o imaterial. Todo espaço de concretização da história e da cultura torna-se um espaço “sagrado” e cerimonial de legitimação daquilo que nele fez a sua realidade. A interminável guerra no oriente médio é também uma luta pela posse de espaços concretos de legitimação imaterial de crenças.
<p align="justify">A perda dos lugares é intercorrente com a perda de suas significações. E, ao mesmo tempo, a diluição de sentido daquilo que nesses espaços construiu sua existência. A destruição do Lago Espelho da Lua, por exemplo, no município paraense de Faro, lugar da celebração anual de amor das Icamiabas – as Amazonas, seria um golpe mortal, a longo prazo da lenda, que é uma das faces do rosto de nossa identidade. O que seria do Círio de Nazaré sem o lugar caminhante de sua peregrinação da Sé à Basílica-Santuário? Há Círio de Nazaré em outros lugares. Mas o lugar legitimador do Círio de Nazaré, mesmo em Belém do Pará, é o espaço desse chão que vem da Sé, bordeja o Ver o Peso, navega pelo Boulevard, ondeia sob os túneis de mangueiras da Presidente Vergas e Av. Nazaré, até desaguar na Pça. Santuário da Basílica. Os espaços concretos transfiguram-se em espaços simbólicos e são ritualisticamente suportes concretos da imaterialidade desses bens. Haveria perdas essenciais para o mundo católico, por exemplo, a destruição da Basílica de São Pedro e sua Capela Sistina. Risco para a devoção à N. S. de Fátima decorreria do corte da oliveira sobre cuja copa a santa pairou diante do olhar extasiado daqueles irmãos camponeses Lúcia, Jacinta e Francisco.
<p align="justify">Os lugares resultam de construção material e espiritual, visível e imaginária, individual e social. Mas o produto e o destino dessa construção plural é coletivo. Se a casa é do indivíduo, a cidade é de todos os seus habitantes, da sociedade que nela constitui o pertencimento sua humanidade. Há, portanto, uma alma na cidade tecida pela cultura e o entrelaçamento das vidas, que une passado ao presente e sua passagem para o futuro. Dessa atmosfera espiritualizante revela-se a poética das cidades que faz delas uma integridade trasladando-se no tempo, que não deve sofrer violências simbólicas por soluções urbanísticas que não respeitem sua história cultural e a pluralidade de direitos dos cidadãos sobre a sua cidade.
<p align="justify">Creio que, uma das questões éticas na estética de uma cidade decorre dos desenraizamentos provocados na medida em que se destroem os referenciais da memória, abrindo-se campo para uma espécie de “nostalgia sem memórias”. Ou, como quer Frederic Jamerson, a nostalgia de um presente que se perde. Pela homogeneização, quando se perdem os referenciais locais, projetando-se nas paisagens da construção de mundos imaginados, as pessoas, vivendo que vivem no lugar, imaginam-se vivendo vidas de outras cidades, de outras vidas.
<p align="justify">Voltemos à nossa questão particular: O Teatro São Cristóvão. É o nosso teatro dos pássaros. O lugar tradicional de apresentação do Pássaro Junino. Aliás, o único espaço historicamente legitimado para essa modalidade de arte cênica, criação do povo do Pará, expressão simbólica da cultura paraense, e a mais significativa expressão popular da arte cênica. O Pássaro Junino é a relevante e original contribuição da cultura paraense ao ciclo junino da cultura brasileira. Um teatro ainda atual e sobrevivente pela dedicação de sua comunidade emocional. Não é um retrato na parede do passado.
<p align="justify">A cultura no local é um dos fatores fundamentais para a existência social da cidade e um dos fatores de pertencimento de sua população. Quando esse valor é percebido pela sociedade, a importância de sua preservação está garantida. Mas é necessário que esse reconhecimento venha de uma fração da sociedade capaz de influências e decisão por seu capital econômico e social. Ou, quando no caso da população de baixa-renda, mas de grande capital cultural, ela se mobiliza para garantir seus direitos na história cultural do lugar.
<p align="justify">A preservação de bens histórico-culturais decorre de uma consciência social de valor. Qual é a fração da sociedade paraense que tem o Pássaro Junino legitimado como um valor? Não é a classe media e nem a alta, de onde vem a hegemonia político-econômica. Inclusive, essas classes sociais já legitimaram seus espaços: Teatro da Paz, Margarida Schivazzapa, por exemplo, igrejas e museus. Mas a classe popular, que tem o sentimento do pássaro e reconhece seu valor, não tem participação dominante nessa hegemonia cultural sustentada pelo político e econômico. Vive num processo permanente de resistência para garantir seus bens simbólicos, quando seria justo que vivesse no gratuito prazer de cultivá-los.
<p align="justify">Quando na preservação predomina o valor econômico material, a possibilidade de transformar o prédio em espaço de negócio e lucro, de um modo geral torna-se mais fácil. Porém, se o que se pretende garantir é o lugar concreto de um bem imaterial, a consciência social e moral não consegue sempre vencer a mentalidade do lucro. É o caso do Teatro de Pássaros em questão, o Teatro São Cristóvão.
<p align="justify">Por que esse fato polêmico se torna paradoxal? Porque ele é anacrônico, socialmente injusto, moralmente discutível e atenta contra a mais recente orientação brasileira, através do Ministério da Cultura: preservar o patrimônio imaterial da cultura nacional. Aqui no Pará, para lembrar, luta-se ainda em busca da necessária hegemonia (que deveria ser já consensual) para garantir-se o precioso e necessário tombamento do Carimbó nessa categoria de reconhecimento e valor. Mas a comunidade do Pássaro é menor. Diferentemente do Carimbó, não se tem refletido em produção profissional de artistas de variadas categorias e classes sociais, o que significa um reforço de capital social e econômico à causa do ritmo emblemático do Pará. Mas o Pássaro tem voado sem ter onde pousar. Semelhante ao seu enredo, o incansável caçador que vem perseguindo o Pássaro Junino vem sendo a exclusão, a insensibilidade, o não-reconhecimento de valor e o preconceito.
<p align="justify">O tombamento e preservação de monumentos tem sua dificuldade decorrente de: <i>1)Ignorância e negligência; 2)na cobiça e na fraude; 3)nas idéias equivocadas a respeito do progresso ou das demandas do presente; 4)na busca descabida de embelezamento e renovação, na falta de uma educação estética, ou numa educação estética equivocada.<a href="#_ftn1_1311" name="_ftnref1_1311"><b>[1]</b></a> </i>Ao que eu acrescento a especulação e uma equivocada busca de beleza.<i> </i>Não estamos diante de passadismos ou conservadorismos. Mas de estima e consciência moral na educação do espírito. A união entre presente e passado pelo devaneio e o sentido de tempo pertencido. Quantas recordações são deletadas na demolição de monumentos históricos? Eles não são <i>velhos farrapos </i>que o progresso despreze como <i>inadequados aos novos tempos.</i>
<p align="justify">A perda de patrimônio cultural é um empobrecimento da vida. <i>Sendo assim, a proteção de monumentos não se deve voltar apenas aos estilos do passado, mas contemplar também suas características locais e históricas, as quais não estamos autorizados a corrigir segundo as regras que nos aprouverem, pois essa correções geralmente destroem aquilo que confere um valor insubstituível até mesmo aos mais modestos monumentos.<a href="#_ftn2_1311" name="_ftnref2_1311"><b>[2]</b></a></i>
<p align="justify">Enfim, lembro que na Constituição do Estado há suporte legal para o tombamento de bens culturais do Pará. Na época de sua discussão e elaboração, o deputado relator do capítulo sobre Educação e Cultura, Dr. Zeno Veloso, solicitou-me a indicação de itens para os artigos referentes à cultura nesse capítulo. Analisamos em conjunto a matéria e dentre aqueles que sugeri, logo aceitos por ele e incorporados em sua proposta, está o tombamento de lugares onde aconteceram narrativas míticas, fatos históricos e manifestações relevantes da cultura. O espírito da lei é reconhecer o entrelaçamento necessário do imaterial com o material, do simbólico com o concreto, legitimando o material visível como condição necessária ao simbólico imaterial.
<p align="justify">O tombamento do Teatro São Cristóvão, patrimônio material, como lugar tradicional do Pássaro Junino em Belém, patrimônio imaterial nele legitimado, pode ser seguramente receber beneficio dessa legitimidade constitucional.
<div align="justify">
<hr align="left" width="33%" size="1"> </div>
<p align="justify"><a href="#_ftnref1_1311" name="_ftn1_1311">[1]</a> DVORÁK,Max. <i>Catecismo da preservação de monumentos. </i>TRD. Valéria Alves Esteves Lima. Ateliê Editorial. SP, 2008 p. 67<i> </i>
<p align="justify"><a href="#_ftnref2_1311" name="_ftn2_1311">[2]</a> <i>Idem</i></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paesloureiro.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paesloureiro.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paesloureiro.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paesloureiro.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paesloureiro.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paesloureiro.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paesloureiro.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paesloureiro.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paesloureiro.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paesloureiro.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=58&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Pranto por Dona No&#234;mia</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 23:05:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
“Sr. João de Jesus Paes Loureiro.Venho lhe comunicar através desta o falecimento de minha mãe Noêmia da Silva Pereira, a quem lhe tinhacomo grande amigo.Sempre que ela precisou o senhor sempre a ajudou.Obrigado o senhor sempre a incentivou na sua cultura ena hora da doença grave ela mandou-lhe falar pro senhorse pudesse ajudar na construção [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=55&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /></p>
<blockquote><p align="justify">“<i>Sr. João de Jesus Paes Loureiro.<br /></i><i>Venho lhe comunicar através desta o falecimento de <br /></i><i>minha mãe Noêmia da Silva Pereira, a quem lhe tinha<br /></i><i>como grande amigo.<br /></i><i>Sempre que ela precisou o senhor sempre a ajudou.<br /></i><i>Obrigado o senhor sempre a incentivou na sua cultura e<br /></i><i>na hora da doença grave ela mandou-lhe falar pro senhor<br /></i><i>se pudesse ajudar na construção de seu túmulo caso ela viesse <br /></i><i>a falecer,<br /></i><i>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<br /></i><i>Ela está enterrada no cemitério Santa Maria,em Carananduba,<br /></i><i>Mosqueiro. Caso o senhor não possa ajudar, obrigado por <br /></i><i>tudo o que o senhor fez pela minha mãe que Deus <br /></i><i>lhe ilumine.<br /></i><i>Danúbia da Silva Pereira<br /></i><i>10-11-2008&#8243;</i></p>
</blockquote>
<p><i></i>
<p><i></i>
<p>Quem era essa mulher<br />feita de rendas<br />pele noturna felina e querubínica,<br />aureolada pela lua de sua poesia?
<p>Quem era essa mulher<br />de sonho e osso <br />de alma musical e terno canto<br />com o fervor da bondade em seu olhar?</p>
<p>Quem era essa mulher<br />feita de carne<br />na esculpida matéria da cor negra<br />e rios indígenas correndo em suas veias?
<p>Essa mulher nascida na Ilha do Mosqueiro,<br />servente aposentada de escola municipal,<br />mãe de muitos filhos,<br />mulher a carregar na vida<br />o esposo paraplégico<br />invertendo a versão do amor Tambatajá.<br />Essa mulher<br />que não cansava de andar a cada dia<br />na busca desse pão da cada dia<br />em dias e mais dias e mais dias.
<p>Essa mulher tem um nome, <br />Noêmia da Silva Pereira,<br />matriarca da cultura junina do Pará,<br />que fez da vida o sacrifício de tornar <br />mais leve pela arte a vida também dura, <br />das criancinhas, dos humildes e excluídos.<br />Essa mulher de quem talvez ninguém se lembre, <br />que não foi consagrada pelo andor da mídia<br />que não foi coroada de manchetes<br />que não recomendou políticos ao voto<br />que não fez propaganda de produtos<br />que nem sequer desfilou portando modas<br />que não era reconhecida, anônima, nas ruas<br />que nem sequer tem um túmulo decente<br />em que possa repousar também na eternidade.</p>
<p>É a grande autora, encenadora, musicista<br />de Pássaros Juninos, Bumbás e Pastorinhas<br />com jovens e crianças no Pará. <br />Que veio ungida por deuses e caruanas<br />para arrancar a luz do solo em que pisasse,<br />para espalhar luar em noite escura.
<p>Noêmia, certamente, um dia foi beber<br />na fonte da juventude revelada por Virgílio&#8230;<br />No campo das idéias<br />era mais nova que todos os mais novos.<br />Ela foi, dentro de si, sempre menina<br />com a adolescência que a arte propicia<br />aos que têm na poesia o seu secreto ser.</p>
<p>Vida vida vida&#8230; <br />Por que só tu tens o metro <br />de medir a tua medida?<br />Essa mulher, eu sinto, há de ser mais do que tu.<br />Pois sua medida é maior que tua medida<br />e sua medida com morte não se mede.<br />É vida a se medir sempre com vida.</p>
<p>Noêmia.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este poema,<br />rosa de luto que tomba em tua tumba. <br />Não há como dizer que não te foste.<br />E tu te foste, é certo, discreta, ao teu estilo,<br />Voaste alada e leve nas encantarias <br />para o terreiro junino das estrelas&#8230;</p>
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		<title>Antipoema 7</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/08/06/antipoema-7/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/08/06/antipoema-7/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 15:42:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antipoemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Morte na Estrada
João de Jesus Paes Loureiro
Foi no quilômetro 130.Entre Salinas e Belém do Pará.Cinco horas em pontode uma tarde inocente ao pôr do sol.Vinte e sete de julho de 2008.
Às cinco horas cravadas nessa tarde,cinco jovens de súbito tiveram, ponto final fechandoa frase ainda incompleta de suas vidas.
Cinco jovens. Cinco estrelasna maravilha do céu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=51&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3><strong>Morte na Estrada</strong></h3>
<p align="center"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></p>
<p>Foi no quilômetro 130.<br />Entre Salinas e Belém do Pará.<br />Cinco horas em ponto<br />de uma tarde inocente ao pôr do sol.<br />Vinte e sete de julho de 2008.</p>
<p>Às cinco horas cravadas nessa tarde,<br />cinco jovens de súbito tiveram, <br />ponto final fechando<br />a frase ainda incompleta de suas vidas.</p>
<p>Cinco jovens. Cinco estrelas<br />na maravilha do céu da juventude.</p>
<p>Quem contra essa constelação<br />arremessou<br />o seu cometa de aço alucinado?</p>
<p>A morte sempre vem na contramão da vida.
<p>(Foi esse mais um crime<br />para manchetes atônitas<br />para <i>releases</i> agônicos<br />para silêncios afônicos<br />ou para impunidades crônicas?)</p>
<p>A morte deveria ter pudor dos jovens.</p>
<p>Dentre as cinco silenciadas quando vinham<br />coroadas de cânticos e risos<br />estava Hanna,<br />tenra folha de loureiro<br />arrancada, tão súbito, dos ramos.</p>
<p>O raio da notícia atravessou as almas<br />e fez um vácuo em cada coração.</p>
<p>O poema<br />(tendo nas mãos<br />velas do verso acesas <br />na chama de uma rima)<br />curva-se<br />e beija para sempre<br />o rosto dessas cinco vítimas do homem<br />cada vez mais lobo do homem.
<p>Para fugir do mundo<br />em que a vida perdeu a paz<br />e a paz perdeu a vida,<br />acesso a internet.
<p>O rosto de Hanna me olha do Orkut<br />como do outro lado do eterno&#8230;</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/paesloureiro.wordpress.com/51/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/paesloureiro.wordpress.com/51/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paesloureiro.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paesloureiro.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paesloureiro.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paesloureiro.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paesloureiro.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paesloureiro.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paesloureiro.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paesloureiro.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paesloureiro.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paesloureiro.wordpress.com/51/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=51&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Acalanto</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/31/acalanto/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/31/acalanto/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 May 2008 23:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
João de Jesus Paes Loureiro
&#160;
É noite é noite alta&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; e no poemasilabam-se saudades de quem amo.
&#160;
O que faria agora&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; nesta horaaquela que me ama&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; e a quem eu quero?
&#160;
Porque não vem &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; aqui comigoentre &#160;as estrelasque adornam o colo claro desta noite&#8230;(A noite debruçando em meu silêncio&#160;a flor da solidão, pálida lua&#8230;)
&#160;
Oh! sonho traz-me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=48&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><span style="font-size:14pt;"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></span></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><span style="font-size:14pt;"><em></em></span>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;">É noite é noite alta<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>e no poema<br /></span><span style="font-size:14pt;">silabam-se saudades de quem amo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;">&nbsp;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;">O que faria agora<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>nesta hora<br /></span><span style="font-size:14pt;">aquela que me ama<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>e a quem eu quero?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;"></span><span style="font-size:14pt;"></span>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;">Porque não vem <br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>aqui comigo<br /></span><span style="font-size:14pt;">entre <span>&nbsp;</span>as estrelas<br /></span><span style="font-size:14pt;">que adornam o colo claro desta noite&#8230;<br /></span><span style="font-size:14pt;">(A noite debruçando em meu silêncio<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;</span>a flor da solidão, pálida lua&#8230;)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;"></span>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;"></span><span style="font-size:14pt;">Oh! sonho traz-me em tua caravela<br /></span><span style="font-size:14pt;">aquela que me ama<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>e a quem adoro&#8230;<br /></span><span style="font-size:14pt;">Tão bela<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>Em sua moldura de ternura,<br /></span><span style="font-size:14pt;">de alma musical<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>e meigo canto.<br /></span><span style="font-size:14pt;">Então, brisa da noite, oh! brisa <span>&nbsp;</span>leve<br /></span><span style="font-size:14pt;">Revoa <span>&nbsp;</span>sobre o sonho – essa lagoa -<br /></span><span style="font-size:14pt;">e pousa na sacada onde ela espera<br /></span><span style="font-size:14pt;">a estrela onde me escondo para vê-la&#8230;<br /></span><span style="font-size:14pt;">Vai a seu leito e roça nos seus lábios<br /></span><span style="font-size:14pt;">esta flor<br /></span><span style="font-size:14pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>esta <span>&nbsp;</span>pétala<span>&nbsp; </span>de beijo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;"></span>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;"></span><span style="font-size:14pt;">Mas tão de leve que ela não desperte<br /></span><span style="font-size:14pt;">e mansamente continue sonhando&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal"><em></em>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><em>* * *<br />Do livro “Altar em Chamas”. Prêmio Nacional de Poesia pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, 1984. Editora Civilização Brasileira/RJ</em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/paesloureiro.wordpress.com/48/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/paesloureiro.wordpress.com/48/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paesloureiro.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paesloureiro.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paesloureiro.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paesloureiro.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paesloureiro.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paesloureiro.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paesloureiro.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paesloureiro.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paesloureiro.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paesloureiro.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=48&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Antipoema 6</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/15/antipoema-6/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/15/antipoema-6/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 May 2008 05:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antipoemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Triste Amazônia ou o empate de Marina Silva
João de Jesus Paes Loureiro
&#160;
Tu és frágil simmas tu és forte.Tu pareces uma delicada lenda xapurimas tu és forte.Tu pareces uma pétala da florestamas tu és forte.
Tu estavas alibraços cruzados contra o latifúndio.Tu estavas alibraços cruzados contra os grãos da morte.Tu estavas alicabeça erguida contra as chamas das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=47&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3><strong>Triste Amazônia ou o empate de Marina Silva</strong></h3>
<p align="center"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p>Tu és frágil sim<br />mas tu és forte.<br />Tu pareces uma delicada lenda xapuri<br />mas tu és forte.<br />Tu pareces uma pétala da floresta<br />mas tu és forte.</p>
<p>Tu estavas ali<br />braços cruzados contra o latifúndio.<br />Tu estavas ali<br />braços cruzados contra os grãos da morte.<br />Tu estavas ali<br />cabeça erguida contra as chamas das queimadas.<br />Tu estavas ali<br />contra os tratores e correntões do erro.<br />Tu estavas ali<br />o coração na mão a defender<br />teus antigos irmãos <br />irmãos de sempre.</p>
<p>A teu lado estava Chico Mendes.<br />A teu lado estava Dorothy Stang.<br />A teu lado estavam Pe. Josino, Espártacus, Canuto <br />Paulo Fonteles, Mártires do Araguaia,<br />Ianomâmis, Zumbi, Ajuricaba<br />Guaimiaba, Herzog, Luter King, <br />Cristo, Caruanas, Édson Luís <br />legiões de rostos desaparecidos<br />rostos que poderiam ter sido nossos filhos<br />nossos pais, irmãos, nossos amigos<br />que desceram à cova e se plantaram <br />sementes da Amazônia e do Mundo que queremos.</p>
<p>Ai!Amazônia!Amazônia! Quem te ama?
<p>Ai! Marina! Marina!<br />Que posso a ti oferecer senão o sonho<br />a indignação e o desespero, <br />quando buscaste apenas a terra da doçura<br />para o índio, nativo da terra<br />para o colono, semente da terra<br />para a Amazônia, paraíso na terra.</p>
<p>Nenhum decreto há de enterrar tua luz<br />porque tua luz há de queimar decretos.<br />Tu que és da Amazônia<br />a Amazônia retiraram de tua mão.<br />Mas não há força humana ou desumana<br />capaz de retirar<br />a Amazônia cravada em teu coração.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Réquiem para Dorothy Stang</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/06/requiem-para-dorothy-stang/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/05/06/requiem-para-dorothy-stang/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 May 2008 18:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antipoemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Poema de João de Jesus Paes Loureiro
(A música litúrgica está sendo composta por
Paulo José de Campos Mello)
1. Introitus
Tambores da terra
Tambores da água
Tambores do fogo
Tambores do ar.
Amazônia! Amazônia!
A liberdade dos pássaros voando.
A liberdade dos peixes navegando.
A liberdade das águas desaguando.
A liberdade das árvores crescendo.
Amazônia! Amazônia!
Cristo caminhava sobre as águas.
Rudá revoava nas florestas.
Foi ali que Dorothy Stang
pela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=46&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="right">Poema de João de Jesus Paes Loureiro<br />
(A música litúrgica está sendo composta por<br />
<em>Paulo José de Campos Mello</em>)</p>
<h3><strong>1. Introitus</strong></h3>
<p>Tambores da terra<br />
Tambores da água<br />
Tambores do fogo<br />
Tambores do ar.</p>
<p>Amazônia! Amazônia!</p>
<p>A liberdade dos pássaros voando.<br />
A liberdade dos peixes navegando.<br />
A liberdade das águas desaguando.<br />
A liberdade das árvores crescendo.</p>
<p>Amazônia! Amazônia!</p>
<p>Cristo caminhava sobre as águas.<br />
Rudá revoava nas florestas.<br />
Foi ali que Dorothy Stang<br />
pela terra sem males viveu.<br />
Foi ali que Dorothy Stang<br />
pela terra sem males morreu.</p>
<h3><strong>2. Kyrie</strong></h3>
<p>Senhor<br />
tem piedade da terra e do homem da terra.<br />
Cristo<br />
tem piedade da terra que mata o homem da terra.<br />
Rudá<br />
tem piedade do homem que morre em defesa da terra.</p>
<h3><strong>3. Dias irae / Lacrimosa</strong></h3>
<p>Dias de ira virão<br />
quando a floresta<br />
for somente cinzas.<br />
Dias de ira virão<br />
quando a vida na floresta<br />
for somente cinzas.<br />
Assim diz o canto do acauã.<br />
Assim diz a voz de Dorothy.<br />
Dias de ira virão na terra vã.</p>
<p>Ai! Dias de lágrimas<br />
por Dorothy Stang, Chico Mendes<br />
Pe. Josino, Canuto, Mártires da Terra.<br />
Dias de lágrimas<br />
por Dorothy Stang, nossa irmã,<br />
que por ela já não canta o acauã.<br />
Tudo acabou.<br />
Tambaramã.<br />
Tudo Acabou.<br />
Tambaramã.</p>
<h3><strong>4. Sanctus</strong></h3>
<p>Santos! Santos! Santos!<br />
Jesus Cristo! Caruanas! Encantados!</p>
<p>Recorda-te Jesus Piedoso.<br />
Recorda-te Rudá, Deus da Floresta.<br />
Tu que sempre acompanhaste os homens<br />
e mulheres da terra,<br />
por que deixaste só nesse caminho<br />
nossa irmã Dorothy?<br />
Assim foi alvo tão fácil para as balas<br />
seu coração de pássaro sem ninho.<br />
Rio de sangue.<br />
Tamalatiá.<br />
Rio de sangue.<br />
Tamalatiá.</p>
<h3><strong>5. Benedictus</strong></h3>
<p>Bendita irmã<br />
que vieste em nome do Senhor!<br />
Não pudeste vencer o latifúndio<br />
assassino do homem,<br />
algoz da natureza.<br />
Quem poderá nos salvar?<br />
Quando o dia da justiça há de chegar?</p>
<h3><strong>6. Agnus Dei</strong></h3>
<p>Cristo-Rudá!<br />
Tu que tiraste os pecados do mundo<br />
Tem piedade de nós.<br />
Cristo-Rudá!<br />
Tu que tiraste os pecados do mundo<br />
por que não tiraste da mira do assassino<br />
nossa irmã Dorothy?</p>
<p>Seis balas cravadas em seu peito<br />
só derramaram amor do coração.<br />
Estava só nessa hora e sem defesa<br />
aquela que defendia cada irmão.<br />
Cristo-Rudá!<br />
Tu que tiraste os pecados do mundo<br />
não pudeste impedir<br />
que Dorothy<br />
morresse na mão do algoz.<br />
Tem piedade de nós.</p>
<h3><strong>7. Lux aeterna</strong></h3>
<p>Tambores da terra<br />
Tambores da água<br />
Tambores do fogo<br />
Tambores do ar.</p>
<p>Tambores de toda a Amazônia, tocai!<br />
Pela irmã Dorothy Stang, tambores tocai!</p>
<p>Para acordar o coração do mundo<br />
tambores tocai!<br />
Para romper o silêncio do mundo<br />
tambores tocai!<br />
Por nossa irmã Dorothy Stang<br />
tambores tocai!<br />
Por aquela que viveu pela terra sem males<br />
tambores tocai!<br />
Por aquela que morreu pela terra sem males<br />
tambores tocai!<br />
Por nossa irmã Dorothy Stang<br />
tambores tocai!</p>
<p>Dá-lhe, Senhor, repouso perpétuo e sublime,<br />
que ela merece todos os hinos<br />
e que a luz eterna divina a ilumine.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Antipoema 5</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/04/08/antipoema-5/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/04/08/antipoema-5/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 13:44:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antipoemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Retomo aqui a publicação de meus Antipoemas, já inciada neste Blog. Creio que a poesia é necessária, sempre, mesmo pelo seu avesso. A série que agora se desdobra mantém a linha de temas circunstanciais do cotidiano. É meu modo de sentir poeticamente o mundo, a cada dia, a cada hora, e como a poesia pode, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=45&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><blockquote><p align="justify">Retomo aqui a publicação de meus Antipoemas, já inciada neste Blog. Creio que a poesia é necessária, sempre, mesmo pelo seu avesso. A série que agora se desdobra mantém a linha de temas circunstanciais do cotidiano. É meu modo de sentir poeticamente o mundo, a cada dia, a cada hora, e como a poesia pode, quebrando regras e barreiras, nascer.</p>
</blockquote>
<h3><strong>Crianças assassinadas</strong></h3>
<p align="center"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></p>
<p>O que faz a mão<br />levantar uma arma<br />contra uma criança?<br />O que faz a mão<br />cortar o fio<br />entre o real e o sonho<br />que equilibra no ar<br />uma criança?<br />O que faz a mão<br />trazer a morte<br />para quem traz a vida?</p>
<p>Deus,<br />porque não afastas esse cálice<br />de amargura<br />de teus próprios lábios?<br />E dos nossos, também?<br />Por que não abates essa mão<br />no caminho do crime?<br />Não podes mais, meu Deus,<br />manter esse descanso<br />que mereceste após a criação.<br />Acorda, Deus do amor,<br />reassume o caos do mundo<br />e tenta recriar a humanidade&#8230;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Poesia e Hist&#243;ria</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/03/28/poesia-e-historia/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/03/28/poesia-e-historia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 03:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Na época do assassinato, pela polícia militar da ditadura, do estudante Edson Luís Lima Souto, em 28 de março de 1968, escrevi este poema. Declamei-o, pouco tempo depois, na primeira apresentação de Os Menestréis (Música e Poesia), no Teatro do Bancrévea, na lo. de Março, aqui em Belém do Pará. Tive que repetir a leitura [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=44&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Na época do assassinato, pela polícia militar da ditadura, do estudante Edson Luís Lima Souto, em 28 de março de 1968, escrevi este poema. Declamei-o, pouco tempo depois, na primeira apresentação de Os Menestréis (Música e Poesia), no Teatro do Bancrévea, na lo. de Março, aqui em Belém do Pará. Tive que repetir a leitura a pedido do público que lotava a platéia. No mesmo ano, poucos meses depois, o poema saiu publicado no meu terceiro livro de poemas <b>Epístolas e Baladas</b>, que teve seu lançamento interrompido por ação da polícia militar que, “coincidentemente” fez uma operação repressiva aos subversivos, na área do lançamento, tendo a Livraria da Editora Grafisa sido obrigada a fechar atropeladamente as suas portas e os convidados presentes cuidaram de sair a tempo. <br />Eis, em seguida o poema, 40 anos depois:
<p align="justify">&nbsp;
<p align="center"><strong>Epístola sobre Édson Luís Lima Souto</strong></p>
<p align="right"><em>João de Jesus Paes Loureiro</em></p>
<p>Poderia ter sido nosso amigo&#8230;<br />Poderia ter sido nosso irmão.<br />Poderia ter sido nosso filho.<br />Poderia ter sido.<br />Poderia ter.<br />Poderia.<br />Poderia ser e foi.<br />Após o seu martírio<br />transmudou-se<br />em nosso filho, nosso amigo,<br />nosso irmão.<br />O seu nome foi Édson<br />e poderia ser Antônio, ou Flávio,<br />ou Bento,<br />antes que a lâmina da bala<br />decepasse<br />a sua agora, irremida infância.<br />Jornais tornaram-se pássaros noturnos<br />com tanta letra enlutada.<br />Uma estrela de platina<br />sacudiu suas pétalas.<br />O último samba que desceu do morro<br />tem uma nota breve<br />em longo pranto.<br />O motor da alegria<br />oxida-se com o tempo.<br />A linha divisória se acentua.<br />O poema grela em chão martirizado.<br />Nada existe sem luta,<br />nem o amor.<br />Recusam-se meus versos perfilarem-se<br />à fila do gatilho,<br />ou levar _ Cireneu _ ao sacrifício<br />a cruz das rimas.<br />É preciso lembrar que a alça de mira<br />eleva a pontaria a qualquer ombro&#8230;<br />Cada dia atual, dolosamente,<br />nos ensina a tristeza e seus ofícios.<br />A porta do Calabouço<br />pode ser também porta de vida<br />ou morte.<br />E foi por esta que o arremessaram<br />e lhe entregaram a chave compulsória<br />no íntimo do peito,<br />- lá onde talvez pousasse<br />ainda sem asas<br />o seu primeiro amor&#8230;<br />Queria um prato apenas para todos.<br />Um prato, por maior que seja,<br />é bem menos que a vida.</p>
<p>Ele sonhava prato completo<br />- assim como uma rosa –<br />para todos<br />igual&#8230;<br />Não desejava a mesa de ninguém.<br />Queria a sua e de seus companheiros.<br />(Comer, talvez, não seja crime)<br />E deram-lhe um lençol como toalha<br />e no seu corpo serviram a ceia intolerante.<br />Foi bem à vista de todos.<br />A canoa de sua juventude<br />na jusante quebrou-se contra o dia&#8230;<br />Nunca assinara, sequer, um manifesto.<br />Todo o povo estremeceu<br />de um forte rancor gelado.<br />É muito fácil manejar um tiro.<br />Um pouco de energia<br />ou de temor<br />e vai na ogiva da bala<br />um satélite de sombra.<br />Uma vida, porém, é bem difícil.<br />Embora sempre trama ou emboscada<br />a vida é linda senhores&#8230;<br />Um rouxinol é mais difícil soltar<br />do que uma bala,<br />e a vida não se refaz<br />como uma pontaria&#8230;<br />O tiro, nunca importa de quem veio,<br />mas sua responsabilidade.<br />Uma pétala rolou de minha dália de alegrias.<br />O rio que tenho n’alma transbordou.<br />Há um crepúsculo em mim<br />de tanto sonho enlutado.<br />Não se aniquila assim<br />a fome do futuro.<br />A morte deveria ter pudor dos jovens.<br />Mas o importante na vida<br />é não a trair.<br />A minha geração tem dois caminhos:<br />martírio e sacrifício!<br />A fome é a esfinge dessa encruzilhada.<br />A caneta desfere as balas-verbo<br />no muro do papel.<br />Como nos quitar com ele?<br />Com um manifesto?<br />Um gesto?<br />Ou um protesto?<br />Ou impedindo<br />que novo dia torne-se mortalha?<br />Estaremos pagos com o futuro<br />só com este pranto presente?<br />Poema: qual o grito que nos salvará?<br />Uma bandeira o cobre?<br />Que bandeira?<br />(“Silêncio Musa,<br />chora<br />e chora tanto,<br />que o pavilhão se lave no teu pranto”)<br />Ah! Como se cravam em minha língua<br />silenciosos alfinetes<br />e os meus dentes mordem<br />um girassol calado.<br />O verso vem cavalgando a estrofe<br />pelos caminhos da página.<br />As passeatas que levavam<br />um horizonte de faixas,<br />dobraram as últimas esquinas&#8230;<br />As manchetes – primadonas agudas –<br />retiram-se do palco.<br />Édson Luís Lima Souto<br />mergulha na legenda!<br />Inutilmente?<br />O silêncio passa<br />_ cisne de luto na lagoa de março.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/paesloureiro.wordpress.com/44/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/paesloureiro.wordpress.com/44/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paesloureiro.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paesloureiro.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paesloureiro.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paesloureiro.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paesloureiro.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paesloureiro.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paesloureiro.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paesloureiro.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paesloureiro.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paesloureiro.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=44&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Antipoema 4</title>
		<link>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/02/22/antipoema-4/</link>
		<comments>http://paesloureiro.wordpress.com/2008/02/22/antipoema-4/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 23:24:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paes Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antipoemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paesloureiro.wordpress.com/2008/02/22/antipoema-4/</guid>
		<description><![CDATA[Espantalhos
João de Jesus Paes Loureiro
As motosserras,
piranhas em cardumes,
no desespero da fome desvairada,
descarnaram com dentes reluzentes
as mangueiras molduras
do Cemitério da Soledade.
Deixaram enfileirados nas calçadas
- sepulturas reviradas pelo avesso -
esqueletos vegetais, em pânico, insepultos.
Espantalhos horrendos
afugentando a beleza da cidade.
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paesloureiro.wordpress.com&blog=1153103&post=43&subd=paesloureiro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3><b>Espantalhos</b></h3>
<p align="center"><i>João de Jesus Paes Loureiro</i></p>
<p>As motosserras,<br />
piranhas em cardumes,<br />
no desespero da fome desvairada,<br />
descarnaram com dentes reluzentes<br />
as mangueiras molduras<br />
do Cemitério da Soledade.</p>
<p>Deixaram enfileirados nas calçadas<br />
- sepulturas reviradas pelo avesso -<br />
esqueletos vegetais, em pânico, insepultos.<br />
Espantalhos horrendos<br />
afugentando a beleza da cidade.</p>
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