Morte na Estrada
João de Jesus Paes Loureiro
Foi no quilômetro 130.Entre Salinas e Belém do Pará.Cinco horas em pontode uma tarde inocente ao pôr do sol.Vinte e sete de julho de 2008.
Às cinco horas cravadas nessa tarde,cinco jovens de súbito tiveram, ponto final fechandoa frase ainda incompleta de suas vidas.
Cinco jovens. Cinco estrelasna maravilha do céu [...]
Entradas marcadas como ‘Antipoemas’
Agosto 6, 2008
Antipoema 7
Maio 15, 2008
Antipoema 6
Triste Amazônia ou o empate de Marina Silva
João de Jesus Paes Loureiro
Tu és frágil simmas tu és forte.Tu pareces uma delicada lenda xapurimas tu és forte.Tu pareces uma pétala da florestamas tu és forte.
Tu estavas alibraços cruzados contra o latifúndio.Tu estavas alibraços cruzados contra os grãos da morte.Tu estavas alicabeça erguida contra as chamas das [...]
Maio 6, 2008
Réquiem para Dorothy Stang
Poema de João de Jesus Paes Loureiro
(A música litúrgica está sendo composta por
Paulo José de Campos Mello)
1. Introitus
Tambores da terra
Tambores da água
Tambores do fogo
Tambores do ar.
Amazônia! Amazônia!
A liberdade dos pássaros voando.
A liberdade dos peixes navegando.
A liberdade das águas desaguando.
A liberdade das árvores crescendo.
Amazônia! Amazônia!
Cristo caminhava sobre as águas.
Rudá revoava nas florestas.
Foi ali que Dorothy Stang
pela [...]
Abril 8, 2008
Antipoema 5
Retomo aqui a publicação de meus Antipoemas, já inciada neste Blog. Creio que a poesia é necessária, sempre, mesmo pelo seu avesso. A série que agora se desdobra mantém a linha de temas circunstanciais do cotidiano. É meu modo de sentir poeticamente o mundo, a cada dia, a cada hora, e como a poesia pode, [...]
Fevereiro 22, 2008
Antipoema 4
Espantalhos
João de Jesus Paes Loureiro
As motosserras,
piranhas em cardumes,
no desespero da fome desvairada,
descarnaram com dentes reluzentes
as mangueiras molduras
do Cemitério da Soledade.
Deixaram enfileirados nas calçadas
- sepulturas reviradas pelo avesso -
esqueletos vegetais, em pânico, insepultos.
Espantalhos horrendos
afugentando a beleza da cidade.
Janeiro 12, 2008
Antipoema 3
Na noite em que meu filho Pedro e sua mulher Roberta foram assaltados nas horas noturnas de uma drogaria, o oficial do Comando de Combate ao Crime Organizado em serviço, de colete à prova de balas, revólver na cintura, metralhadora na mão, pente de munição cruzando o peito, olhou-me e disse: _ “Poeta! Sei que [...]
Janeiro 5, 2008
Antipoema 2
Adolescente no cárcere
João de Jesus Paes Loureiro
A adolescente foi encarcerada
em uma cela destinada a qualquer crime
nos cárceres do Pará.
Foi lançada às feras numa jaula.
Lançada pelo esgoto social
no banquete de ratos e de répteis.
Como no velho Coliseu romano
os condenados
eram lançados a tigres e leões,
como guerreiros inimigos
eram dispostos à fome canibal,
como se lança uma vaca
à sanha devoradora [...]
Dezembro 29, 2007
Antipoema 1
Antipoema
João de Jesus Paes Loureiro
O que fazer da poesia?Qual a poesia possívelnuma época impossível de poesia?
A poesia é necessária.Eu sei completamente o quanto é necessáriaenquanto faço o poemae o poema me faz.
Quando o poema se completae me olha das palavras,já não sei mais o que um poema ée o que é a poesia.Só enquanto faço [...]

