Morte na Estrada
João de Jesus Paes Loureiro
Foi no quilômetro 130.
Entre Salinas e Belém do Pará.
Cinco horas em ponto
de uma tarde inocente ao pôr do sol.
Vinte e sete de julho de 2008.
Às cinco horas cravadas nessa tarde,
cinco jovens de súbito tiveram,
ponto final fechando
a frase ainda incompleta de suas vidas.
Cinco jovens. Cinco estrelas
na maravilha do céu da juventude.
Quem contra essa constelação
arremessou
o seu cometa de aço alucinado?
A morte sempre vem na contramão da vida.
(Foi esse mais um crime
para manchetes atônitas
para releases agônicos
para silêncios afônicos
ou para impunidades crônicas?)
A morte deveria ter pudor dos jovens.
Dentre as cinco silenciadas quando vinham
coroadas de cânticos e risos
estava Hanna,
tenra folha de loureiro
arrancada, tão súbito, dos ramos.
O raio da notícia atravessou as almas
e fez um vácuo em cada coração.
O poema
(tendo nas mãos
velas do verso acesas
na chama de uma rima)
curva-se
e beija para sempre
o rosto dessas cinco vítimas do homem
cada vez mais lobo do homem.
Para fugir do mundo
em que a vida perdeu a paz
e a paz perdeu a vida,
acesso a internet.
O rosto de Hanna me olha do Orkut
como do outro lado do eterno…

