João de Jesus Paes Loureiro
É noite é noite alta
e no poema
silabam-se saudades de quem amo.
O que faria agora
nesta hora
aquela que me ama
e a quem eu quero?
Porque não vem
aqui comigo
entre as estrelas
que adornam o colo claro desta noite…
(A noite debruçando em meu silêncio
a flor da solidão, pálida lua…)
Oh! sonho traz-me em tua caravela
aquela que me ama
e a quem adoro…
Tão bela
Em sua moldura de ternura,
de alma musical
e meigo canto.
Então, brisa da noite, oh! brisa leve
Revoa sobre o sonho – essa lagoa -
e pousa na sacada onde ela espera
a estrela onde me escondo para vê-la…
Vai a seu leito e roça nos seus lábios
esta flor
esta pétala de beijo.
Mas tão de leve que ela não desperte
e mansamente continue sonhando…
* * *
Do livro “Altar em Chamas”. Prêmio Nacional de Poesia pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, 1984. Editora Civilização Brasileira/RJ

